Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

 

“O nascimento de uma criança com defeito neurológico, tal como o anúncio de um cancro num filho, transporta a mulher para patamares de dor inimagináveis. Difícil o papel do médico: mensageiro da má notícia, oráculo da tragédia, como poderá ser, em simultâneo, o suporte da esperança?”

 

Nuno Lobo Antunes in "Que vida merece ser vivida?" - Sinto Muito



publicado por Dreamfinder às 18:08
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

 

E mesmo antes de ir de férias, deixo uma mensagem profunda:

 

“É preciso afirmar aquilo em que se acredita. É preciso usar as grandes palavras: fé, amor, vergonha, coragem. É preciso dizer que a paixão, mais que a razão, redime e nos torna em santos. E, sem pudor dos afectos, confessar que sinto muito.”
 
Nuno Lobo Antunes in Sinto Muito


publicado por Dreamfinder às 20:17
Sexta-feira, 07 de Agosto de 2009

 

“Uma das razões para se escolher Medicina, no tempo da minha entrada para a Faculdade, tinha a ver com o prestígio da profissão.
Imediatamente abaixo de Deus.”
 
Nuno Lobo Antunes in "O meu doente" - Sinto Muito

 



publicado por Dreamfinder às 10:56
Terça-feira, 26 de Maio de 2009

 

“«Não há fumo sem fogo.» Este é o lugar comum que mais me indigna. É o princípio da presunção da inocência, substituído pela presunção da culpabilidade. É bom que se diga bem alto: há, (muitas vezes), fumo sem fogo, sobretudo quando grassa a calúnia, a inveja e a mediocridade.”
 
Nuno Lobo Antunes in "Lugares comuns" - Sinto Muito


publicado por Dreamfinder às 15:23
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

 

“Para o chão atirávamos a esperança, de seguida varríamos a poeira da fé. (…) A dor comia bocadinhos de nós. Partes de mim deixaram de existir. A certeza que fica é que para a vida valer a pena é necessário amar e ser amado, e ter muito cuidado com o cristal de que os outros são feitos. Os outros sim, que nós somos de aço. Excepto, claro, quando choramos.”
 
Nuno Lobo Antunes in "O Sétimo Dia" -  Sinto Muito


publicado por Dreamfinder às 09:24
Quinta-feira, 05 de Março de 2009
 
“O campo da Medicina que escolhi, obriga-me muitas vezes a ser o mensageiro da má notícia. Particularmente difícil é anunciar a uma família que o seu bebé de meses sofreu danos cerebrais irreversíveis, que irão condicionar de forma definitiva a sua independência. Quantas vezes, ao adivinhar um futuro sem autonomia, numa criança com grave paralisia cerebral, eu via nos olhos da mãe um desafio amassado em zanga e raiva, que muito simplesmente queria dizer: «isso é o que tu julgas. O meu amor é tal, que a sua força irá restaurar no meu filho capacidades que não suspeitas que existam.» Ou não é verdade que a Fé move montanhas? Como dizer que infelizmente o amor não repõe células mortas, que não é aí que o problema reside?”
 
Nuno Lobo Antunes in "O Mensageiro" - Sinto Muito


publicado por Dreamfinder às 22:14
Domingo, 01 de Março de 2009

Para esta semana mais uma sugestão em português:

 

Sinto Muito

Nuno Lobo Antunes

(Verso de Kapa)

 

 

Uma sugestão sem dúvida suspeita, visto eu ser estudante de Medicina. De qualquer forma, este livro é aconselhado para qualquer pessoa. Tem uma escrita simples que pretende descrever os mais sinceros e, por vezes, dolorosos sentimentos humanos. Um livro escrito no limite da saúde, aquele patamar em que médicos e doentes se encontram e, muitas vezes, no limiar da própria vida. Um relato emocionado de um médico marcado pela especialidade que abraçou - a neuropediatria oncológica. Crianças e mais crianças. Crianças a quem alguém decidiu roubar o precioso tempo e, com ele, o conceito de futuro. Crianças para as quais só há presente, só há "a curto prazo", só há "hoje e talvez amanhã". Crianças que serão sempre crianças: não terão tempo para crescer. E é assim que Nuno Lobo Antunes as recorda. Fala delas com o carinho de um pai, marcado pela impotência de um diagnóstico. Ao longo de várias crónicas, vai-nos dando a conhecer os doentes que mais o marcaram; a relação médico-doente, que tem tanto de profundo e generoso, quanto de incerto e conturbado; a relação e o respeito pelos colegas; o profissionalismo e a entrega que pautam a sua vida; os seus valores, as suas crenças, os seus medos; os pais dos seus doentes; e como a doença pode dilacerar uma família.

Uma profunda história sobre uma vida dedicada à Medicina.

 

“Muitos me perguntavam como era possível conviver diariamente com o desgosto. A resposta é simples: é um privilégio poder conhecer a humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor. Os médicos e as enfermeiras com quem trabalhava eram santos, porque, como alguma vez ouvi, os santos não se vêem todos da mesma maneira.”
in "A humanidade no seu melhor"

 



publicado por Dreamfinder às 09:46
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

 

 

“O meu filho, doutor, não se esqueça, o Meu filho. Por favor, olhe-me e no seu olhar prometa-me. Não, minto, jure pela saúde dos seus, que o saberei proteger, que viverá para sempre, criança sem mágoas junto a mim, que o meu peito é redondo como céu, a minha pele sem ruído como o mar. Jure que terá o conforto que o meu ventre lhe prometeu. Mais, muito mais; que o meu ventre lhe jurou. Sim, porque dentro de mim existia um oceano, e a parede do meu útero era um universo sem estrelas, noite perfeita, que as estrelas, às vezes, não deixam dormir. Doutor, ele cresceu dentro de mim. Não anuncie desgraças, privações, troças, desamores. O meu corpo é um casulo, dele só nascem borboletas. De asas brancas, claro, como as dos anjos. Não, não há pernas tortas, nem movimentos sem graça. Apenas crianças eternas, em eterna paz no meu seio, no meu ventre, nos meus braços. (…) Doutor, se dentro de si nada que se pareça com um jardim alguma vez brotou, se dentro de si nem risos nem choros, nem olhos nem mãos, nem esperança nem dor, nem nada do que nesta vida merece ser celebrado, alguma vez brotou, - tire a gravata, Doutor e por uma vez, peço-lhe, cale os seus olhos.”

 

Nuno Lobo Antunes in "Crónica do Olhar que Anuncia a Morte" -

Sinto Muito



publicado por Dreamfinder às 10:13
“Um leitor é sempre um estudante do mundo.” Deborah Smith
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